Atlético mineiro solta nota em repúdio a grito homofóbico de torcedores

Dia 16 de setembro, no domingo, na partida do Atlético-MG contra o Cruzeiro, torcedores do Atlético mineiro começaram a entoar um grito de cunho homofóbico para os cruzeirenses durante essa partida clássica, no estádio do Mineirão, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. A “música”, devidamente registrada através de um vídeo nas redes sociais, faz alusão ao deputado federal e candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL).

Em um tom altíssimo, entoavam o seguinte grito: “Ô cruzeirense, toma cuidado: o Bolsonaro vai matar veado”. Tanto as equipes de reportagem do Estado de Minas e também do Superesportes estavam presentes no local e testemunharam o momento durante o intervalo da partida, que acabou empatada  em 0 a 0. No intervalo da partida, quando o Cruzeiro, mandante do jogo, realizou uma ação com integrantes do programa Sócio do Futebol, uma parte da torcida do Atlético-MG respondeu à provocação de um dos sócios com o tal grito de caráter homofóbico e alusivo a Bolsonaro.

Além de ter sido mencionado na música, o rosto de Bolsonaro pode ser observado na estampa de uma camisa vestida por um torcedor do Atlético no Mineirão.

Veja o vídeo abaixo mostrando o exato momento em que os torcedores do Atlético-MG lançaram o grito homofóbico:

Um outro grupo de torcedores levou um cartaz de apoio a Bolsonaro para o Mineirão. A gestora do estádio solicitou que o objeto fosse retirado. Membros da segurança explicaram que a orientação é evitar cartazes e faixas provocativas ou com manifestação política.

A reação a respeito da musiquinha homofóbica de apoio a Jair Bolsonaro foi simplesmente instantânea. Diversos torcedores do próprio clube se manifestaram através das redes sociais com o objetivo de repudiar o lamentável evento. Torcedores de outros times também se manifestaram

Esta não foi a única manifestação a favor de Jair Bolsonaro nesta rodada do Brasileirão. Felipe Melo, do Palmeiras, também conversou a respeito do presidenciável.  Responsável por um gol no jogo contra o Botafogo, o volante dedicou a façanha para o deputado e inclusive chamou-o de “futuro presidente”.

Os gritos homofóbicos podem causar punição ao próprio clube. Com total ciência a respeito do ocorrido, a Procuradoria-Geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) assegura que o ocorrido não passará batido. O órgão continua estudando as imagens e espera o recebimento da súmula da partida, cujo árbitro foi Rafael Traci (PR), para efetuar uma possível denúncia a respeito do caso.

No final da noite de domingo, a diretoria do Atlético-MG se manifestou a respeito do caso e repudiou expressivamente o teor do grito proferido por parte da torcida que foi ao estádio.

“O CAM (Clube Atlético Mineiro) lamenta profundamente as manifestações homofóbicas de parte dos torcedores, no jogo deste domingo, no Mineirão. Reiteramos nosso repúdio a quaisquer gestos de preconceito ou de incitação à violência. A maior torcida de Minas é composta por pessoas de todas as classes sociais, raças e gêneros, não cabendo qualquer tipo de discriminação. Isso não faz parte da nossa gloriosa história”, divulgou o clube.

No caso de haver um oferecimento de denúncia, o Atlético-MG constituir-se-ia no alvo da Procuradoria-Geral do STJD. Isso ocorre, pois, os torcedores, mesmo sendo devidamente identificados, não são jurisdicionados no referido órgão. Nesta situação, é o Galo quem será responsabilizado pelo comportamento de sua torcida.

 

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Graduada e Mestre em História. Faço parte da equipe de redação do portal TV É Brasil. Além de professora e historiadora, sou redatora web freelancer/autônoma. Uma verdadeira amante da cultura, arte e entretenimento.

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